Sobre as Tendências - Moral e Ética em D&D

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Sobre as Tendências - Moral e Ética em D&D

Mensagem por Monteparnas em Ter 3 Dez 2013 - 14:26

O objetivo desse tópico, que se repete nas áreas de Dungeons & Dragons, Pathfinder e Tormenta, é discutir a questão da Tendência, iniciando com meu pequeno tratado pessoal sobre o tema:

Tratado Monteparnasiano Sobre Moral e Ética Maniqueístas escreveu:O primeiro eixo do alinhamento é chamado Eixo Ético, porque trata mais de como você vai atrás dos seus objetivos, em quê você pauta o seu método de ação. É aí que estão Ordem e Caos.

O segundo é o Eixo Moral. Ele trata da natureza desses objetivos em si, o direcionamento da sua ação. Aí estão o Bem e o Mal.

Partindo disso, existem duas formas básicas de encarar o alinhamento. É importante observar que, da maneira como o jogo foi feito, não existe uma resposta formal sobre qual das duas é a mais correta, e a diferença e confusão entre elas é a principal fonte das muitas discussões sobre o assunto.

Primeiro, os alinhamentos podem ser assumidos como descritores gerais de personalidade. Nesse sentido eles se referem às inclinações do personagem em qualquer aspecto de sua vida. Segundo, eles podem ser entendidos como a nomenclatura dos eixos indica: padrões de ética e moral defendidos e aspirados pelo personagem.

Um personagem ligado à Ordem por seu comportamento é metódico, prefere respostas e métodos testados e comprovados, segue algum grau de disciplina auto-imposta e é bem resistente à mudanças. Se o foco dele é mais a Ordem como ética, ele acredita no valor intrínseco da lei e da ordem social, na importância da tradição e da normatização, de se seguir as regras. Não quer dizer que ele seja estúpido e ache que toda regra é boa, mas que acha importante haver uma regra em primeiro lugar, e prefere trabalhar pelas instituições estabelecidas do que tentar uma revolução para ter de reinventar a roda.

Se você prestar atenção, embora não sejam excludentes os dois aspectos também não são grudados. Você pode ter um personagem que segue um, mas não o outro, como um soldado acostumado à disciplina física rígida, mas indisposto com qualquer forma de governo. Esse é o ponto da discussão, o tipo de personagem que pode causar problemas.

No fim das contas, uma forma de encarar o alinhamento não é diferente da outra. Então o melhor é que você reflita sobre o que faz o seu personagem ter aquele alinhamento e, se achar necessário, discutir com o mestre. Isso, claro, se você achar que pode haver confusão.

Outro ponto comum é a diferença entre o quanto o alinhamento na ficha diz do seu personagem. Nesse ponto vou apenas explicar como eu trabalho. O alinhamento é a forma como o universo de D&D (um universo aonde essas diferenças são mais tangíveis, menos filosóficas) classifica o seu personagem no momento, não a maneira como ele se impõe a você. Uma vez eu deixei um jogador ficar sem alinhamento por um tempo, até ter mais clareza do personagem, e outro veio reclamar que assim ele poderia fazer o que quisesse no jogo. Minha resposta: qualquer um de vocês pode fazer o que quiser, você não deve satisfação à sua ficha, você deve a você mesmo. Se um personagem começa a agir muito diferente do previsto no alinhamento, quem muda é o alinhamento. Ele não é uma ciência exata, nem inescapável.

Então pense primeiro em como seu personagem é. Depois tente encaixar o alinhamento que te parecer mais apropriado. Se não estiver batendo com a interpretação, tudo bem, eu vou conversar com você e, se for o caso, o alinhamento muda. Isso não é uma punição, é apenas uma descrição. Tem seus efeitos em jogo, mas eles não são intrinsecamente bons ou ruins.

Deixando claro: geralmente personagens sensatos evitam tomar grandes decisões com base apenas no alinhamento. Ele pode te dar uma ideia do que esperar de alguém, mas nunca uma certeza. Além disso, na maioria dos lugares o alinhamento não é um crime, e por mais que ele possa indicar uma tendência a agir dessa ou daquela forma, ele não é considerado o bastante para justificar certas ações. Lógico que as coisas podem ser bem mais simples nos ermos, aonde você precisa contar mais com seu próprio julgamento e ação, não com normas sociais e autoridades, mas é uma coisa a se ter em mente.

Os alinhamentos, conforme eu os apresento:

Ordem é disciplina e método. Como natureza indica preferência pelo comprovado e pelo planejado, muitas vezes com normas rígidas sobre algumas coisas. Como ética é uma aprovação da normatização, acreditar no valor da lei e da obediência, confiar em estruturas firmes e bem estabelecidas.

Caos é liberdade e flexibilidade. Como natureza indica inconstância, preferência pelo novo e pelo improvisado, aversão a pré-definições. Como ética é uma crença no valor intrínseco da liberdade, do direito de decisão individual, da adaptação a cada caso e da mudança como forma de evitar estagnação e corrupção.

Bem é a disposição a se podar em nome do bem-estar alheio. Como natureza indica que se tem grande empatia, sofre-se com o sofrimento alheio, regojiza-se com seu bem-estar. Como moral é a crença no direito do próximo, e disposição a lutar por esse direito.

Mal é indiferença total ou sadismo. É o um dos poucos alinhamentos que podem ser atingidos por duas vias totalmente independentes. Como natureza pode indicar mera indiferença, estando disposto a atropelar qualquer um para cumprir seus objetivos, ou pode significar sadismo, quando o sofrimento alheio lhe é prazeroso. Moralmente é a mesma coisa tornada em objetivo em si: acreditar que não deve permitir que outros fiquem no seu caminho, por mais que te doa destruí-los, ou efetivamente buscar o sofrimento alheio enquanto engole sua própria empatia.

Neutralidade é um caso similar. Pode indicar falta de convicção ou de disposição para se posicionar de certa forma, ainda que penda para um lado, ou pode indicar uma busca por equilíbrio. Normalmente se define melhor pelo outro alinhamento, mas nem sempre é o caso.

Exceções existem em toda combinação de alinhamento, normalmente porque um lado é mais importante que o outro para aquele indivíduo. À frente passo a interpretação mais comum de cada combinação, mas variações existem com base em cada um. Muitos indivíduos relacionam relativamente pouco as duas partes do seu alinhamento, devendo cada uma a um lado diferente de si. As descrições que seguem partem da interação.

Ordem e Bem: Acredita no valor da estrutura social como meio de sustentar a harmonia e o bem comum. A lei é o sacrifício que todo cidadão realiza para a sociedade se desenvolver. No entanto, não deve ficar no caminho desse bem comum: se uma lei é prejudicial, deve ser combatida, de preferência pelos meios instituídos.
Ordem e Neutro: Disciplina trás benefícios a qualquer um. A lei e a tradição são intrinsecamente boas. As normas têm uma razão de ser, e devem ser respeitadas. Um novo caminho a ser traçado deve ser planejado, novas regras podem ser criadas, mas nunca levianamente, e sempre deve haver uma regra para impedir que a incompetência dos mortais destrua os objetivos.
Ordem e Mal: O método é a melhor maneira de conquistar seus objetivos. Seguir a regra garante a fiabilidade dos planos, protege contra imprevistos. Normas podem ser dobradas, podem ser usadas, mas tornam-se inúteis se forem quebradas, e sua utilidade é grande demais para um descarte leviano.
Neutro e Bem: O Bem maior é o objetivo que importa. Regras podem atrapalhar em alguns momentos, e podem ser esquivadas nessas horas, mas descartá-las levianamente é uma tolice, pois também são úteis. Avalie cada situação para ter certeza, mas nunca descarte nem o novo, nem o velho.
Neutro Total: Siga sua vida. Ética e Moral pouco têm haver com sua realidade cotidiana. Certamente que não é bom atropelar o direito alheio, mas não é possível lutar por todos, e algumas vezes ovos têm que ser quebrados, mas só às vezes. Leis existem em todo lugar, declaradas ou não. Elas não precisam ser sempre seguidas, mas revoltar-se é uma tolice. Apenas ignore-as quando necessário, e siga sempre com sua vida.
Neutro e Mal: As outras pessoas são insignificantes. Use-as se quiser, aprenda o que precisar sobre elas e seu modo de vida, mas não se importe. Só você importa de verdade.
Caos e Bem: Toda estrutura rígida sufoca, toda hierarquia corrompe, todo poder é tirânico. A liberdade é o maior direito de todos, e nenhuma regra pode prever as necessidade reais das pessoas. Se cada um puder escolher seu caminho como quiser, todos serão mais produtivos e felizes.
Caos e Neutro: A vida é dinâmica, a mudança é necessária. Acordar todo dia no mesmo lugar é simplesmente chato. Pessoas são divertidas, mas ver sempre as mesmas cansa. Viva a vida em movimento, um lugar novo a cada dia, uma experiência nova a cada oportunidade. E se quer liderar, lidere pelo exemplo, pois você não deve nada a ninguém, e ninguém deve nada a você.
Caos e Mal: Nada como uma boa mudança, e nada muda mais o mundo do que o fogo. A sociedade deve cair para que os fortes possam se reerguer, e provar sua força para merecer continuar. Nada é sagrado, nada merece misericórdia. E se alguém não é capaz de se defender, não merece continuar respirando, então cuide disso para ele.
Porquê repetir esse tópico em três áreas?

Primeiro, porque ele é pertinente às três, e não achei realmente que qualquer área em particular pudesse suprir melhor sua função que a repetição.

Segundo, porque a discussão sobre o assunto pode tomar rumos bem diferentes conforme o jogo. E essa distinção é válida. Não busco uma resposta final unificada para os três (ainda que, nesse momento, seja exatamente o que eu tenho).

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